Durante os últimos anos um crescimento exponencial da radiologia tem acontecido. Procedimentos e exames antigamente disponíveis a poucos profissionais, como a tomografia computadorizada, hoje estão cada vez mais comuns no dia-a-dia da clínica do cirurgião-dentista. Com a popularização dos tomógrafos de feixe cônico, também chamados de volumétricos (figura 1), novas e fascinantes aplicações estão se tornando rotina na clínica odontológica diária.




Fig.1 Paciente posicionado em um equipamento de tomografia de feixe cônico
Estes equipamentos apresentam uma série de vantagens em comparação com os tomógrafos médicos utilizados anteriormente. A principal provavelmente seja a considerável redução da dose de radiação, especialmente quando comparada com a tomografia médica. A resolução das imagens é infinitamente superior e atualmente está na ordem do décimo de milímetro (Figura 2). O tempo de realização dos exames é bastante reduzido e atualmente existem protocolos para obtenção de imagem com apenas 5 segundos, conferindo ao procedimento um grande conforto ao paciente. Como estes equipamentos são operados por dentistas e os exames interpretados por profissionais com especialização em radiologia odontológica, a comunicação com o profissional fica facilitada, especialmente pela linguagem “odontológica” utilizada.


Fig.2 Comparação da qualidade de imagem entre os exames tomográficos


Algumas especialidades têm obtido vantagens expressivas com estas novas tecnologias. Uma delas é a endodontia. Os exames tradicionais como a radiografia periapical estão gradativamente sendo suplantados pelos benefícios das imagens em 3D em diversas aplicações. As imagens tomográficas têm se tornado uma rotina para muitos endodontistas, especialmente nos casos de visualização de fraturas radiculares, localização de canais acessórios e avaliação da obturação dos condutos radiculares. Especificamente nos casos de avaliação de fraturas radiculares, a orientação do traço de fratura não é fator limitante, visto que as imagens podem ser visualizadas em múltiplos planos (Figura 3). Nos casos de perfurações é possível, além da visualização da perfuração, a destruição do tecido ósseo adjacente (Figura 4).


Fig.3 Fratura radicular cervical visualizada nos planos coronal e sagital


A implantodontia hoje é a especialidade que tem mais solicitado exames nestes novos equipamentos. Uma das grandes vantagens é que dependendo do equipamento utilizado, podem ser solicitados exames de regiões parciais. Desta maneira, é possível a avaliação de uma região unitária bem como a maxila ou mandíbula completa.


Fig.4 Perfuração por pino protético na raiz palatina do dente 16 visualizada nos planos axial e coronal.




A prototipagem rápida consiste em transformar as reconstruções de 3D da tomografia em modelos físicos em tamanho real, normalmente confeccionados com uma resina especial. Desta maneira, simulações de tratamento podem ser realizadas nos chamados biomodelos, bem como um minucioso e detalhado estudo da anatomia do paciente sem a necessidade de realização de uma moldagem. Outra possibilidade é a confecção de guias cirúrgicos precisos (Figura 6), que diminuem o tempo do procedimento cirúrgico e possibilitam a realização de cirurgias sem retalho.


Fig.5 Avaliação das dimensões ósseas para futura colocação de implante unitário.


Na ortodontia, a avaliação dos pacientes com imagens em 3D proporciona uma série de vantagens, especialmente naqueles com deformidades esqueléticas. Diversos pesquisadores têm desenvolvido análises cefalométricas em 3D, baseadas nas cefalometrias tradicionais existentes (Figura 7).


Fig.6 Biomodelo e guia cirúrgico prototipado para realização de cirurgia de implantes.


A avaliação de dentes retidos e reabsorções externas com técnicas tomográficas têm ganhado terreno e muitas vezes substituem as tradicionais técnicas de localização (Figura 8). Além da localização dos dentes retidos, é possível avaliar a proximidade dos mesmos com os dentes adjacentes e possíveis reabsorções radiculares.

Fig.7 Marcação de pontos cefalométricos em 3D.
Fonte: Materialise


A imagem em 3D está apenas começando a sua trajetória na odontologia e com certeza o futuro do diagnóstico por imagem ainda trará inúmeros benefícios para nossa profissão. Mas acredite o melhor ainda está por vir... é esperar para ver.


Fig.8 Avaliação de dente retido com tomografia de feixe cônico demonstrando localização palatina do 13 e
reabsorção do 12.















Vinicius Dutra
Autor: Vinicius Dutra
Especialista em Radiologia pela FOB-USP
Doutorando em Radiologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP
Prof. de Diagnóstico por Imagem da ABO-RS
Prof. Convidado da UFSC
Visiting Scholar Temple University School of Dentistry – EUA
Internship in Implant Imaging pela Universidade de Gotemburgo – Suécia
Radiologista do Centro de Diagnóstico por Imagem em Odontologia e Centro de Diagnóstico Odontológico
Chefe do serviço de Imaginologia Buco-Maxilo-Facial do Mãe de Deus Center







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