Apesar de, em um momento inicial, ter-se admitido que os implantes poderiam ser colocados em todos os pacientes, atualmente algumas considerações importantes são feitas para garantir sucesso e desempenho eficazes.

Apresentar saúde bucal é o primeiro passo para que um paciente, com dentes em boca, possa receber implantes dentais. Neste paciente, os mesmos cuidados tomados em relação aos dentes devem ser aplicados aos implantes:



  • manter a escovação em dia, com um bom controle de placa (biofilme).
  • manter os tecidos gengivais saudáveis.
Por exemplo, gengivas que sangram indicam que há doença periodontal, ou seja, que está ocorrendo um desequilíbrio entre a quantidade e a qualidade de bactérias (biofilme) sobre os dentes e a capacidade de defesa do organismo, que pode ser afetada por fatores sistêmicos e comportamentais, como diabetes, síndromes, tabagismo, entre outras. Portanto, é fundamental que o paciente “candidato” a receber implantes seja informado e compreenda que os tecidos ao redor dos implantes são tão ou mais suscetíveis às doenças inflamatórias do que a gengiva, segundo alguns estudos.

A inflamação da mucosa ao redor dos implantes - a mucosite é uma dessas doenças. Caracteriza-se pela presença de sangramento, podendo ser identificada pelo cirurgião-dentista ou, em estágios mais avançados, pelo próprio paciente. Seu tratamento depende de cuidados que façam com que o acúmulo de biofilme seja reduzido para níveis compatíveis com a saúde. Esses cuidados essenciais, que variam de paciente para paciente, incluem:

  • Uma escovação adequada, para a qual se recomenda escovas multicerdas ou mesmo escovas unitufo.
  • Controle do biofilme entre os implantes ou entre dentes e implantes, utilizando fio ou fita dental ou escovas interdentais.
É necessário um treinamento específico do paciente, junto ao seu cirurgião-dentista, para o uso desses recursos, uma vez que o “perfil de emergência” (intersecção dos implantes, prótese e tecido mole) dos implantes é diferente dos dentes. Isto pode alterar a “forma tradicional” do paciente fazer sua higiene bucal. O controle do biofilme será feito na “união” do implante com a mucosa, para a obtenção de resultados melhores.

Outra doença comum aos implantes é a periimplantite. Ao contrário da mucosite (uma inflamação mais “superficial”), essa patologia é “profunda” e afeta o tecido ósseo, que mantém os implantes na boca. A periimplantite, portanto, pode levar à perda do implantes. Este fato sinaliza que os cuidados com a saúde bucal devem ser tomados, intensificados e jamais negligenciados.

O primeiro passo para se evitar a periimplantite é identificar o paciente apto a receber implantes. Neste sentido, pacientes que tenham saúde sistêmica e que não mantenham hábitos desfavoráveis, como o tabagismo, apresentarão melhores resultados na terapia com implantes. Feito isto, deve-se avaliar o grau de higiene bucal e melhorá-la sempre que necessário, pois, uma vez que haja o estabelecimento da mucosite, serão criadas condições favoráveis ao estabelecimento “submucoso” de bactérias. Esta condição, em um indivíduo suscetível, pode levar à periimplantite com maior freqüência. Por outro lado, uma vez que a periimplantite esteja estabelecida, o paciente poderá fazer muito pouco para o seu tratamento, necessitando, assim, de cuidados e orientações profissionais específicas.

Se o paciente não tem dentes em boca, apenas implantes, é um erro imaginar que eles estariam livres do risco da mucosite e da periimplantite. As bactérias “dos dentes” são as mesmas nos implantes: em indivíduos saudáveis ou doentes, com ou sem dentes. Levando-se em consideração que o indivíduo que perdeu dentes, se a causa foi problema periodontal, é o mesmo que receberá implantes, estabelece-se a fórmula: bactérias + suscetibilidade = risco de desenvolvimento da periimplantite.

Portanto, todo cuidado é pouco na identificação do paciente que irá receber implantes e, também, em relação aos cuidados que ele deve manter para o controle do biofilme que se deposita sobre os dentes, e sobre os implantes.




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