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Os avanços da ciência e a valorização da multidisciplinaridade na medicina em geral têm contribuído para o grande crescimento do número de estudos que relacionam a Cardiologia e a Odontologia. Muitas pesquisas realizadas nos últimos anos apontam, por exemplo, a doença periodontal como possível fator de risco para as doenças cardiovasculares, havendo várias situações de comprometimento odontológico que podem levar ao aparecimento ou ao agravamento de um problema cardíaco.
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Segundo um artigo do pesquisador Mario Vettore, da Fundação Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro, a doença periodontal aumenta em quase 20% as chances de um indivíduo sofrer de algum mal cardiovascular. E, devido ao grande número de pessoas afetadas pelos problemas bucais (cerca de 40% da população), esta associação pode ter sérias conseqüências sobre toda a saúde pública.
“A relação entre Cardiologia e Odontologia é de extrema importância. A boca tem inúmeras bactérias que convivem em harmonia. Quando, por algum motivo, há um desequilíbrio entre elas, isso gera uma doença e pode se transformar em um perigoso foco de infecção”, explica a Dra. Maria Cristina de Oliveira, fundadora e vice-diretora do Departamento de Odontologia da SOCESP - Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Essas infecções podem ser ainda mais prejudiciais aos cardiopatas e, por isso, os dentistas precisam ter uma atenção ainda maior com quem já passou por um transplante cardíaco ou quem tem uma doença congênita, por exemplo.
Criado em 1993, o Departamento de Odontologia da SOCESP faz um trabalho constante de atualização dos profissionais visando enfatizar a importância de um atendimento multidisciplinar aos pacientes. Além de promover um congresso anual, encontros semestrais, cursos e palestras, a entidade lançou neste ano, para médicos e outros interessados, o manual “Cardiologia e Odontologia: uma visão integrada”.
Cuidados especiais
A Dra. Maria Teresa Cáceres, também da SOCESP, faz um alerta aos dentistas: “Diante de pacientes cardiopatas, o dentista precisa tomar alguns cuidados-extras, como fazer a profilaxia antibiótica antes do tratamento para evitar problemas como a bacteremia - que é a passagem de bactérias bucais para a circulação sanguínea, levando à chamada endocardite infecciosa”.
As crianças cardiopatas também necessitam de atenção especial, uma vez que a ingestão freqüente de medicações (algumas com açúcar) facilita o aparecimento de focos de infecções dentárias. Além disso, algumas delas acabam passando por várias internações hospitalares, o que as tornam pouco receptivas ao tratamento.
No entanto, a principal ação dos dentistas, segundo a Dra. Maria Cristina, deve ser garantir a conscientização do paciente sobre a importância da saúde bucal para seu estado geral. “Geralmente, devido à complexidade dos problemas cardíacos, os pacientes acabam deixando a saúde bucal de lado, e isso implica em sérias conseqüências. Os dentistas são peças fundamentais para a promoção da saúde”.
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