História vencedora.
Autora: Patricia Rocha
Trabalho em consultório público. Estava em um daqueles dias cansativos quando escuto aquele tumulto na recepção. Havia vários pacientes na sala de espera e um deles repetia em voz alta:
- A dentista aqui faz distração de dente? Eu só espero neste consultório se ela distrair meus dentes."
Notando a impaciência do sujeito e a confusão que se formava, pois a atendente estava muito ocupada, pedi licença ao cliente que atendia e abri a porta. Aquele impaciente paciente, apressadamente se aproximou e me perguntou:
- Doutora, a senhora faz distração de dentes?
Eu apressadamente respondi:
- Claro! Aguarde um pouco.
Enquanto atendia os outros clientes, consegui relaxar e revigorar novamente, pois não saía do meu pensamento como eu poderia "distrair" dentes. Será que cantando? Contando piadas? Dançando? Fazendo cócegas? Eu trabalhava e sorria. Até que chegou então o esperado momento.
Pedi para ele se sentar. Ainda impaciente me perguntava:
- Doutora eu quero "distraí" meus dentes e a minha "gingiba" está sangrando, a senhora distraí?
Respondi calmamente:
- Sente-se, vou analisar seu caso.
Observei grande quantidade de tártaro e placa bacteriana. Usei todos os meios disponíveis, escova, pasta, fio dental e o espelho, para conscientizá-lo sobre prevenção e cuidados com a boca.
Notei que pela primeira vez alguém o fazia observar a importância dos dentes. O que significava para sua saúde e para uma melhor qualidade de vida.
Realizei tartarectomia, profilaxia e apliquei flúor gel.
O paciente para minha surpresa levantou-se da cadeira sorrindo e agradecido.
Moral da história: a melhor maneira de deixar os dentes felizes é "distraí-los", não extraí-los.