Desde criança Cassiano Kuchenbecker Rösing idealizava como profissão a odontologia, embora não tenha nenhum parente dentista ou uma razão especial para isso. Hoje, aos 36 anos, o doutor conseguiu o que queria e parece estar acima do que projetou na infância: ainda jovem tem uma carreira acadêmica que soma mestrado e doutorado em periodontia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e pós-doutorado pela Universidade de Oslo (Noruega), além da presidência da Aboprev - Associação Brasileira de Odontologia de Promoção de Saúde.

Nascido na cidade de Passo Fundo, em Porto Alegre, Rösing se formou em 1990 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e começou na carreira acadêmica logo após ter concluído a graduação. Atualmente, ele divide seu tempo com o atendimento a pacientes, presidindo a entidade e dando aulas em duas Universidades, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Luterana do Brasil. Porém, entre as três atividades, ensinar odontologia é o que Rösing mais gosta.

O interesse do presidente da Aboprev em ingressar na associação existe desde a época de estudante da graduação. "Sempre fui ligado à entidade com o desejo de uma odontologia menos mutiladora", enfatiza Rösing. Desde que assumiu a presidência da Aboprev, em maio de 2005, ele tem o compromisso de assessorar o Ministério da Saúde no Programa Brasil Sorridente - a política nacional de saúde bucal que maior impacto teve na odontologia brasileira. Para se ter uma idéia da dimensão do programa, ele apresenta como principais linhas de ação, a adição de flúor em estações de tratamento de águas do abastecimento público e a atenção especializada através, principalmente, da implantação de Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias. O Brasil Sorridente teve investimentos de mais de R$ 1,3 bilhão no ano de 2006.

E as atividades do dentista dentro da Aboprev não param por aí. Cassiano ainda participa de eventos e da revista científica da associação. Quando questionado sobre como divide seu tempo entre tanto trabalho, ele dispara: "tempo é um produto de produção própria".

Rösing conta que sempre foi uma pessoa atarefada, desde a escola primária, mas o excesso de atividade não costuma atrapalhar o dia-a-dia com a família. "Minha namorada, por exemplo, já me conheceu desse jeito", diz o dentista, que tem como hobby viajar e adora ouvir música nos momentos de descanso.

O fato mais relevante de sua carreira profissional foi ter tido a possibilidade de estudar na Escandinávia e entender que a odontologia brasileira, tecnicamente muito avançada, ainda tem muito a aprender com a ciência, que muitas vezes é ignorada por "contadores de histórias", como diz Rösing. "O Brasil atualmente já transformou seu discurso e fala-se muito de promoção de saúde bucal, mas a prática do dentista ainda é mutiladora e mercantilista", explica.

Mesmo envolvido em diversos projetos profissionais, no fundo seus planos para o futuro são bem pessoais: casar e ter filhos.




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