“Espero que a odontologia brasileira possa se beneficiar com a minha presença na diretoria da Associação Internacional de Pesquisa Dental”
A caminho de assumir a presidência da Associação Internacional de Pesquisa Dental - IADR, a dentista Maria Fidela de Lima Navarro se mostrou integralmente dedicada à manutenção e recuperação da saúde bucal nos últimos 25 anos em que esteve presente na entidade.

Mas o seu envolvimento na odontologia vai muito além do atendimento no consultório. A dentista, graduada pela Faculdade de Odontologia de Bauru – USP, em 1965, tem se realizado em deixar cada vez mais preparada a nova geração de dentistas que vem por aí, atuando como orientadora de alunos de graduação e pós-graduação da FOB - USP.

Nascida na cidade de Santarém, no Pará, a doutora Maria Fidela diz que sempre gostou da área da saúde. Após terminar a faculdade de odontologia, realizou estágio de um ano na Escócia, onde obteve aprimoramento profissional e cultural de grande valia para a sua vida. Quando voltou ao Brasil, fez doutorado em Dentística Restauradora, também na Faculdade de Odontologia de Bauru, em 1970. Atualmente, sua rotina de trabalho é dividida entre a Secretaria Geral da Universidade de São Paulo, de segunda a sexta-feira, e a cidade de Bauru, para onde vai aos finais de semana e segue com sua função de professora e orientadora de alunos.

Foi por meio do colega de departamento na FOB João Galan Jr. que a doutora chegou à IADR, entidade em que é vice-presidente. “A partir de 1989 comecei a freqüentar os congressos internacionais da IADR”, recorda Fidela, que é associada à entidade há mais de 25 anos.

Para chegar ao cargo que hoje ocupa, o de vice-presidente da IADR, Maria esteve presente em grande parte das reuniões anuais, sempre buscando interagir e se colocar à disposição para ajudar a diretoria, além de levar um número expressivo de brasileiros nas reuniões. Tanto entusiasmo e envolvimento resultaram em uma primeira indicação para ser representante regional da diretoria da IADR, em 1995. Foi a partir daí que ela pôde colaborar efetivamente com a associação. E, pelo andamento de suas atividades, em 2010 a doutora assumirá a presidência com muitos compromissos e responsabilidades. “Como presidente devo comandar todas as reuniões da diretoria e do conselho que fazem o planejamento dos congressos anuais. Devo também propor nomes para a aula magna”, planeja.
À frente da IADR, além de todo o trabalho burocrático, Maria Fidela tem muito que conquistar para a pesquisa dental brasileira, que tem crescido exponencialmente. “Eu espero que a odontologia brasileira possa se beneficiar com a minha presença na diretoria da IADR, pois durante esses quatro anos de gestão o foco das atenções estará no meu local de origem.

Espero, também, poder contribuir com apoio à pesquisa, tanto conseguindo intercâmbios com grupos de excelência, como obtendo apoio financeiro de agências internacionais e da indústria”, conclui a futura presidente da IADR.

Credibilidade os pesquisadores brasileiros já têm. Segundo a doutora, indicadores mostram que universidades brasileiras estão classificadas entre as melhores do mundo, mesmo tendo um aporte financeiro para pesquisa muito menor do que no exterior. A Universidade de São Paulo, por exemplo, está em 175º lugar no ranking do Times Higher Education e em 94º lugar no Higher Education Evaluation & Accreditation Council of Taiwan.

Tudo leva a crer que a pesquisa no Brasil é promissora. Como uma profissional que se dedica integralmente ao universo acadêmico, ela percebe que há um crescente estímulo das agências de fomento para a inovação e a interação da universidade com a indústria, visando gerar conhecimento novo, que traga recursos para o país. “Vejo um forte movimento no sentido da internacionalização das universidades, o que certamente propiciará um acentuado avanço do conhecimento científico, pela troca de experiências entre pesquisadores diferenciados e o aporte de recursos de novas fontes financiadoras de pesquisa”, explica a pesquisadora, que atualmente orienta estudos da área clínica, analisando o comportamento dos materiais restauradores ao longo do tempo – pesquisas que têm resultado em publicações de impacto internacional.
Mesmo com tanta responsabilidade profissional, Maria Fidela ainda encontra tempo livre para momentos de lazer. Então, aproveita para caminhar, assistir apresentações esportivas e ouvir música. Viúva, mãe de quatro filhos e avó de cinco netos, seu hobby é fotografar. Quando questionada se a família reclama do seu dia-a-dia atarefado, ela diz: “sempre pude contar com o apoio e colaboração da minha família”.







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