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Considerado uma autoridade quando o assunto é cárie, o dentista Fábio Correia Sampaio, de 41 anos, dedica grande parte do seu tempo ao ensino na Universidade Federal da Paraíba. Além do contrato de exclusividade com a UFPB, o professor acaba de assumir o posto de membro do conselho consultivo da European Organisation for Caries Research (ORCA), indicado pela professora Bente Nyvad, da Universidade de Ärhus (Dinamarca). Para isso, foi necessário ter a indicação aprovada e depois colocada em votação em uma plenária. A aprovação final ocorreu neste ano, em Glasgow, na Escócia.
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Agora, como integrante da organização internacional, o pesquisador tem como primeiro compromisso avaliar o ensino da cariologia na América do Sul e preparar um relatório a ser apresentado em 2007. "É um cargo de grande responsabilidade, pois muitas decisões são indicadas por este conselho", afirma.
Nascido na pequena cidade de Areia, na Paraíba, Fábio Correia Sampaio não nega que houve influência de sua irmã, também dentista, na escolha da profissão. Ele ainda se lembra da primeira vez que foi ao consultório dentário e do forte cheiro de eugenol. "Não tive medo e achei tudo meio alquímico, meio mágico. Fiquei contagiado com o ritual do atendimento na odontologia", recorda Sampaio.
Em 1986, formou-se pela Universidade Federal da Paraíba e especializou-se em Saúde Pública, em Brasília. Atualmente, na UFPB, ele é professor da disciplina de Cariologia Clínica; ministra aula de Ergonomia para o segundo ano da graduação; e na pós-graduação é o coordenador da área de Odontologia Preventiva e Infantil. Semanalmente, dedica boa parte do seu tempo às pesquisas no LABIAL (Laboratório de Biologia Bucal), um laboratório para pesquisas em cariologia, flúor, microbiologia e plantas medicinais. E tem se aplicado também no GEFAO - Grupo de Estudos em Fitoterapia Aplicada à Odontologia.
Fábio acredita que as pesquisas brasileiras não deixam a desejar se comparadas às desenvolvidas no exterior. Estudos feitos no País com antimicrobianos, composto a base de cálcio para "melhorar" os efeitos tópicos do flúor, são exemplos disto.
O professor se sente realizado com suas orientações de pesquisa. Recentemente, um estudo de iniciação científica do seu grupo foi premiado no congresso da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO), realizado na cidade paulista de Atibaia. "Esta foi uma grande realização profissional para minha aluna de iniciação científica, mas foi, do mesmo modo, muito relevante para mim", comemora.
Uma das coisas de que Fábio Sampaio mais gosta como pesquisador é escrever artigos. Como dentista e cariologista, fica realizado quando, depois de cinco anos de um regular programa preventivo, atende a uma criança ou adolescente sem cárie. Mas não é só no trabalho que ele encontra satisfação. Nas horas vagas, Fábio, que é casado, gosta de assistir a filmes, ler livros e eventualmente ir à praia. Além de ter como hobby a pintura.
Sobre seu papel como pesquisador, ele afirma se sentir orgulhoso das conquistas que obteve apesar das inúmeras dificuldades da região onde atende, e enfatiza isso com uma brincadeira que circula entre os pesquisadores nordestinos: "Fazer pesquisa no Brasil é um ato de heroísmo, fazer pesquisa no Nordeste do Brasil é um ato de suicídio". Porém, o doutor diz que a solução é não desanimar, mas fazer das dificuldades seus desafios e assim buscar financiamento em diversas agências de pesquisa. "Eu sou pesquisador do CNPq e não posso deixar de reconhecer que tenho apoio de colegas de diversas partes do Brasil e também do exterior. Por isso, acredito que ser pesquisador hoje é fazer parcerias", completa.
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