De volta a Porto Alegre, após participar de mais um congresso internacional, desta vez na Austrália, o Prof. Dr. Rui Vicente Oppermann não esconde seu otimismo com o futuro da odontologia. Afinal, no 84º encontro da IADR (International Association for Dental Research), foram apresentados quase 4 mil novos trabalhos, em três dias de evento na cidade de Brisbane. "Este é o mais tradicional congresso de pesquisa odontológica do mundo. Todos fazem questão de apresentar o que vêm produzindo", explica o professor. Para ele,

"os trabalhos mais interessantes tratavam de técnicas de biologia molecular para o estudo de diferentes patologias orais".Além disso, o Dr. Oppermann destaca o foco em questões como o efeito de antibióticos e o efeito de restaurações sobre gengivas.

Patrocinado pela Unilever, o congresso é realizado anualmente, alternando sedes entre os Estados Unidos e o resto do mundo. "O congresso da IADR é uma boa oportunidade de debater os temas em pauta na comunidade, antes da publicação dos trabalhos. Outro aspecto fundamental é conhecer profissionais de diversas nacionalidades, ampliando a rede de contatos". Um das tradições do evento é o prêmio "Hatton", oferecido a jovens pesquisadores. Neste ano, dois dos 25 finalistas eram brasileiros. Com presença assídua nos encontros desde e década de 80, o Dr. Oppermann vê com bastante interesse os estudos na área da prevenção de problemas na gengiva, já que sua especialidade é a periodontia.

Nascido no município de Nova Prata, na serra gaúcha, em 6 de fevereiro de 1951, Rui Vicente Oppermann não demorou a interessar-se pela odontologia. Influenciado por seu pai, José Oppermann ("dentista prático, não se formou"), ele se graduou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fez doutorado em Olso, na Noruega.

Além de professor, ele atualmente é o diretor da Faculdade de Odontologia da UFRGS. Atende também em sua clínica em Porto Alegre e há 10 anos é consultor científico da Close up. "O que fazemos basicamente é dar apoio à área de desenvolvimento e pesquisa. Produzimos folders, ajudamos no site, sempre buscando ligar a Unilever ao meio acadêmico no desenvolvimento de produtos".

Pai de dois filhos, o antropólogo Thiago e a advogada Mariana, Rui garante que tem algum tempo livre. Nessas horas, gosta de cuidar de sua horta e ler sobre psicologia e filosofia, ciência que ele considera uma "base importante para qualquer pesquisador, por ampliar a visão de mundo". Sobre o atual momento da odontologia, ele deixa claro não concordar com aqueles que decretam a diminuição do mercado. "Há um catastrofismo a esse respeito. Na verdade, a odontologia tem ampliado sua área de atuação. Além do trabalho em consultórios, o profissional pode atuar em grupos, clínicas, pesquisa etc.".


Para os jovens que estão ingressando na profissão, ele recomenda que fiquem de olhos abertos e participem de atividades de pesquisa com os professores que têm contato. "Foi assim que comecei". A lamentar, somente o fato de não ter voltado para trabalhar na pequena Nova Prata. "Foi por causa disso que meu pai acabou fechando a sua clínica...".




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