Durante um curto período de tempo, esse fanático torcedor do Grêmio ainda realizou o sonho de trabalhar em rádio. Mas a vontade de ser dentista acabou falando mais alto: “Certamente esta escolha se deu em função do medo daquele barulho característico dos consultórios. No inconsciente, talvez estivesse o desejo de um dia ajudar a tornar a odontologia menos agressiva, e acabar com o medo e o pânico que ela causava nas pessoas”, releva ele.
Formado pela Universidade Federal de Pelotas, em 1976, o Prof. Adair Busato seguiu para o interior de São Paulo e fez mestrado e doutorado em Dentística na Faculdade de Odontologia de Bauru. Atualmente, ele trabalha como professor da Universidade Luterana do Brasil e é o presidente da Sociedade Brasileira dos Cirurgiões Dentistas (Sobracid). Além disso, também é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Um dos temas que mais chama a sua atenção é justamente o alarmante crescimento dos casos de câncer bucal no Brasil. “Nos últimos cinco anos, o aumento foi da ordem de 50% e a tendência é de crescimento, uma vez que os fatores de risco estão chegando cada vez mais facilmente à população”, alerta Busato. A boa notícia é que a sua prevenção é simples e, quando detectada precocemente, essa patologia tem praticamente 100% de chances de cura. Por outro lado, se o diagnóstico for feito tardiamente, a possibilidade de óbito pode chegar a 70%.
“A população deve ser alertada de que este câncer ocorre em todas as idades. Por isso, qualquer alteração de cor da cavidade bucal, aftas que não cicatrizam e traumas que se repetem devem ser considerados fatores suspeitos - e a visita a um cirurgião-dentista pode determinar a detecção precoce”, explica. Assim como no câncer de mama, o câncer bucal também pode ser previamente identificado por um auto-exame. Para isso, basta que o paciente fique atento a qualquer um dos sinais citados e, se encontrá-los, busque um profissional para uma análise aprofundada. Os fatores que podem contribuir para o surgimento dessa patologia são bem conhecidos: fumo, consumo de álcool, sexo oral, exposição aos raios ultravioletas, traumas e uma possível predisposição genética.
Quando o assunto é o atual cenário da odontologia brasileira, o Prof. Busato valoriza o seu padrão de excelência - no que se refere à estética e à restauração -, mas não deixa de fazer suas considerações: “É urgente que repensemos nossas práticas, estabelecendo prioridades e agilizando as mudanças curriculares. Isso é fundamental para que o novo cirurgião-dentista possua conhecimentos e habilidades para interferir no processo de formação da doença, além de simplesmente fazer o tratamento”.
Para quem está começando na profissão, a dica é inovar: “O consultório tradicional já não tem espaço. Uma formação voltada para a generalidade - com amplo conhecimento de diagnóstico, aliando conhecimentos de pedagogia, psicologia e sociologia - fará com que ele se diferencie no mercado”.
Autor de seis livros, com mais de 150 publicações nacionais e internacionais, o Prof. Adair Busato também costuma escrever nas suas horas de lazer. “Além disso, gosto de cinema, teatro, fazer reuniões com os amigos e tenho paixão por óperas”. E, é claro, não deixa de acompanhar todos os jogos do seu time do coração.
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