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Patrícia Fabiana Paiva Rocha. Formada em Odontologia pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), em 1997. Trabalha no Consultório Odontológico Municipal em Boninal, na Bahia, há 10 anos. É a primeira profissional com nível superior a voltar para trabalhar em sua terra. Atualmente, concilia o atendimento a pacientes no consultório público e privado.
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1. Como se interessou pela odontologia?
Patrícia - Sempre fui sensível ao sofrimento alheio, o que me fez escolher a área de saúde. Eu queria uma profissão na qual eu pudesse colocar em prática os conhecimentos teóricos de forma a observar resultados imediatos e que aproveitasse a minha facilidade em desenvolver trabalhos manuais. Então, escolhi a odontologia.
2. Para você, o que é preciso para ser um bom dentista?
Patrícia - Valorizar o ser humano e tratar o paciente. Por exemplo: observar os medos e tentar saná-los; educar para a saúde; observar a capacidade de cada indivíduo para restabelecer as funções do sistema; aguçar a capacidade de observação para reconstrução; "escutar as confissões".
3. Em sua opinião, qual a maior dificuldade da profissão?
Patrícia - A valorização. Devemos lutar para que os profissionais não se tornem "rápidos executores de procedimentos" porque o "sistema" exige produtividade. Além disso, conscientizar as esferas da sociedade de que temos responsabilidades com a saúde e, portanto, os mesmos direitos que a classe médica.
4. O sucesso de um tratamento dentário está nas mãos, exclusivamente, do dentista?
Patrícia - De forma alguma, por isso é importante que cada indivíduo conheça a sua boca e os meios de preservação da saúde.
5. Qual a maior dificuldade que já teve com um paciente?
Patrícia - O paciente queria diagnosticar e impor o tratamento, talvez devido a um processo histórico ainda presente na profissão: "as mutilações". Ele queria extrair os dentes para evitar sofrer depois. Tive que usar o bom humor e a criatividade para conscientizá-lo.
6. Qual seu maior objetivo profissional na carreira de dentista?
Patrícia - É difícil definir o maior objetivo da carreira profissional. Durante a nossa vida, traçamos vários objetivos: uns, a curto prazo, como me especializar em dentística; outros, a longo prazo, como participar de pesquisas sobre células–tronco, um grande avanço da ciência que poderá revolucionar a odontologia a partir da reabilitação de pacientes com estruturas completas.
7. O que você espera da odontologia daqui para frente?
Patrícia - Uma odontologia humanizada que possa chegar a todos com qualidade.
8. Quais as áreas que considera mais promissoras?
Patrícia - Todas as áreas da odontologia são promissoras, pois estão em constante processo de aperfeiçoamento. Todas têm sua importância. A odontologia é muito dinâmica, cabe a cada profissional escolher a área que possa desenvolver melhor.
9. Qual o episódio mais difícil que já viveu no ambiente profissional?
Patrícia - O sentimento de impotência diante de um senhor que procurava, pela primeira vez, um dentista para extrair dentes porque estavam amolecidos. Eu notei que ele estava com câncer em fase avançada. O senhor foi encaminhado para um centro especializado em Salvador, mas morreu em pouco tempo.
10. Comente sobre as novidades da odontologia estética.
Patrícia - Hoje, temos no mercado bons materiais para desenvolver tratamentos estéticos. As facetas, as resinas de ótima qualidade, o clareamento e as próteses de porcelana pura são alguns dos procedimentos. Quando bem indicados, são muito eficazes para devolver a auto-estima aos pacientes e valorizar a aparência deles.
11. Há aumento de procura por esse serviço atualmente?
Patrícia - Essa é uma das áreas promissoras da odontologia. Hoje, a aparência tornou-se pré-requisito para ascensão social, assim, a busca por um "sorriso perfeito" tem sido muito procurada e valorizada.
12. Em sua opinião, atualmente as universidades formam profissionais capacitados?
Patrícia - As universidades têm suas diferenças no processo de ensino. Algumas enfatizam áreas curativas, segregando-as; outras intensificam uma maior união entre as disciplinas; outras têm uma maior preocupação social e preventiva. Se todas desenvolvem o senso crítico e o pensar, elas cumprem papel importante para a odontologia.
13. Quais as dificuldades que um estudante de odontologia enfrenta hoje para ingressar no mercado de trabalho?
Patrícia - Os grandes centros estão saturados de profissionais e as cidades pequenas estão distantes dos cursos especializados. Ainda faltam informações sobre empreendedorismo na formação dos profissionais, o que diminui a qualidade da odontologia como profissão liberal e torna os profissionais cada vez mais dependentes de vínculos empregatícios.
14. Como grande vencedora do Concurso Cultural Conte sua História, promovido pelo site Odonto Close up, você irá participar do 26º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo. Fale sobre a sua expectativa para o evento e conte como foi receber a notícia de que você foi a grande vencedora do concurso.
Patrícia - O Congresso Internacional de Odontologia (CIOSP) é o grande acontecimento da odontologia brasileira. Espero aproveitar o máximo das novidades científicas e conhecer melhor os produtos lançados no mercado este ano.
Foi maravilhoso! Sei que foi uma história vencedora porque estou cumprindo o meu dever como profissional. É um reconhecimento sobre o trabalho que desenvolvo com muito amor no consultório público da cidade de Boninal, interior da Bahia, além de ter sido uma história engraçada!
Clique aqui e leia a história vencedora na íntegra.
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