Em 22 de julho de 1967, durante o “Curso de Microbiologia Oral” realizado em Belo Horizonte, foi fundado o GBMO - Grupo Brasileiro de Microbiologia Oral. Ele surgiu no exato momento em que essa especialidade começou a responder muitas das principais dúvidas dos dentistas do mundo inteiro, como a etiologia bacteriana tanto da cárie como das doenças periodontais.


Junto com essas comprovações, vieram também alguns questionamentos sobre a microbiologia oral, mostrando que era fundamental o aprofundamento da pesquisa nesta área e que, para isso, havia a necessidade de formar professores e pesquisadores.

Agora, em 2007, o GBMO completa quatro décadas de existência e, à frente dele, está a Profa. Dra. Márcia Mayer. “As maiores metas são difundir os conhecimentos de microbiologia oral entre a comunidade científica e favorecer o intercâmbio e a colaboração de pesquisadores e professores da área no País”, explica a atual coordenadora do Grupo, cujos membros se reúnem anualmente em assembléia durante os encontros da Sociedade Brasileira de Pesquisas Odontológicas. “O grupo vem promovendo diversos cursos e seminários com pesquisadores de peso, o que serve como forte fator motivador de vocações em microbiologia oral”.

Filha e neta de dentistas, Márcia não teve dificuldades para escolher qual profissão iria seguir. “Mas nunca imaginei que iria ser pesquisadora em microbiologia”, ressalta ela. “Porém, ao me deparar, ainda nos primeiros anos da graduação, com uma matéria que dava respostas científicas aos questionamentos sobre a etiologia das doenças orais, acabei me apaixonando”.

Esta especialidade é usada na pesquisa odontológica para responder a um grande número de questões envolvendo as doenças infecciosas da cavidade oral. “A importância disso é óbvia quando se compreende que cárie, doenças periodontais e a maior parte das lesões endodônticas são doenças causadas por microrganismos orais”, explica. “Além disso, estudamos a ecologia oral na situação de normalidade, e nos fatores que levam ao seu desequilíbrio e, conseqüentemente, à doença”.

Segundo a professora, a atual tendência da odontologia brasileira é que os conhecimentos adquiridos em ciências mais básicas contribuam ainda mais para o tratamento e prevenção destas doenças. Como exemplos, ela enfatiza o desenvolvimento de vacinas contra os agentes associados à cárie, e outras metodologias alternativas para o seu controle ou prevenção - como o uso de probióticos e de novos agentes antissépticos. “Outros aspectos, como o novo conhecimento sobre a expressão gênica, também irão colaborar na produção de tecidos e no controle de doenças como a periodontite”.

Formada pela Universidade de São Paulo, em 1982, ela fez pós-doutorado na Faculdade de Odontologia da University of Pennsylvania, nos Estados Unidos, além de cursos e estágios na Suécia e na Noruega. Atualmente, divide seu tempo entre o GBMO e a USP, onde é professora e orientadora de alunos de pós-graduação. Nascida na cidade de São Paulo, Márcia Mayer é casada e tem dois filhos. Nas poucas horas de folga em que está distante dos estudos com a microbiologia oral, ela gosta de ler, estar com a família, cuidar de suas plantas ou aproveitar para viajar e conhecer lugares diferentes.




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