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Ainda não muito conhecida pela população, mas bastante difundida entre os profissionais da saúde bucal, a Odontogeriatria é um campo em crescimento em um País onde a população envelhece buscando qualidade de vida. A especialidade, que foi oficialmente reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia em 2003, estuda os fenômenos decorrentes do envelhecimento, que também afeta a boca e suas estruturas associadas, bem como a promoção de saúde, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento de enfermidades.
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A consciência sobre a importância da prevenção da saúde de um modo geral e a preservação dos dentes naturais por um longo período já é uma realidade nos grandes centros urbanos.
O professor do curso de Especialização em Odontogeriatria da Abeno – Associação Brasileira de Ensino Odontológico –, Plínio Marcos Modaffore, acredita que é possível alcançar idade avançada com todos os dentes naturais na boca, desde que se tenha os cuidados necessários. “É um trabalho que começa na infância e deve ser realizado por toda a vida, ou seja, correta higienização bucal após qualquer ingestão de alimentos”.
Os cuidados básicos ajudam a conservar um sorriso saudável ao decorrer do tempo mas, querendo ou não, com a idade o ser humano passa por mudanças fisiológicas que acarretam alteração do tônus muscular bucal, redução do fluxo salivar e perda óssea generalizada. Além disso, 45% das medicações que os pacientes idosos utilizam provocam efeitos colaterais na boca, como o aparecimento de candidíase, boca seca, aftas, alterações do sabor, mau hálito e dificuldades para falar. Reações que devem ser tratadas por um especialista em Odontogeriatria.
Nem todas as faculdades de odontologia trazem na grade curricular a Odontogeriatria como disciplina obrigatória. A Faculdade de Odontologia (FO) do campus da Unesp de São José dos Campos, por exemplo, criou a disciplina de Odontologia Geriátrica, já em nível de graduação, com o objetivo de melhorar a formação do aluno para atender às especificidades dessa faixa etária. Segundo o portal da Unesp, durante a graduação os alunos aprendem sobre as alterações fisiológicas do envelhecimento, condições de vida, limitações fisiológicas nos tratamentos e a prescrição dos medicamentos. A mesma preocupação está presente no curso ministrado no campus de Araraquara. Lá, o conteúdo específico referente aos idosos é diluído nas disciplinas de Prótese Total, Parcial e Fixa, Clínica Integrada, Periodontite e Cirurgia. Além disso, há um projeto de extensão que faz atendimento em um asilo da cidade.
No Brasil, existem diversos projetos que visam estimular os cuidados com a saúde bucal dos idosos. “Faculdades de Odontologia (USP, Unesp, Unicamp, Unip), associações de classe (APCD, ABO) e entidades privadas (Sesc, Sesi) possuem grupos mobilizados para tal fim”, afirma Modaffore. Vale ressaltar que os índices de perda dentária entre 65 e 74 anos representam um fator negativo, pois quase 57% da população brasileira nesta faixa etária utiliza prótese dental na arcada superior e 34% prótese total na inferior, segundo o levantamento de saúde bucal da população brasileira nos anos de 2002 e 2003.
O campo de trabalho para o especialista em Odontogeriatria vai muito além do atendimento em clínica. Ele pode atuar em asilos, casas de repouso, grupos da terceira idade e em domicílio, com equipamentos odontológicos portáteis, para melhor consultar o idoso com dificuldades de locomoção.
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