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Pacientes que roncam têm nova opção de tratamento
Ronco e síndrome da apnéia do sono são tratados com o uso de aparelho oral.
Nem todos profissionais da saúde sabem, mas a odontologia pode auxiliar muito os pacientes que roncam e sofrem com a síndrome da apnéia do sono, que é a interrupção da respiração por alguns momentos durante a noite.
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Quando ocorre esta obstrução das vias aéreas, vários órgãos dele podem ser afetados, principalmente o coração, onde as chances de ocorrência de arritmias, hipertensão, infarto e derrame cerebral crescem em até 30%.
Os principais sintomas da apnéia do sono são o ronco e a sonolência diurna excessiva. Para auxiliar no tratamento destes problemas freqüentes entre homens com mais de 30 anos e mulheres que estão ou já passaram da menopausa, existe um aparelho oral que posiciona a mandíbula do paciente mais para frente, possibilitando que a passagem de ar na garganta fique desobstruída.
De acordo com o dr Luiz Roberto Godolfim, ortodontista e ortopedista funcional dos maxilares, poucos profissionais realmente conhecem este tipo de tratamento porque ainda falta divulgação. “A utilização destes aparelhos teve início na década de 80, com resultados acanhados. Nos anos 90, houve um grande desenvolvimento e hoje temos resultados bastante expressivos. Porém a maioria dos médicos e dentistas ainda não tem conhecimento dos avanços nesta área”, diz.
Demanda para este tipo de tratamento é o que não falta. De acordo com o ortodontista, estima-se que, atualmente, 20% das mulheres e 40% dos homens ronquem à noite. Acredita-se também que a apnéia do sono atinja entre 25% e 30% da população. “Esta é uma área que está crescendo muito, mas ainda temos um número pequeno de profissionais trabalhando nela no Brasil.”
Segundo o dr Godolfim, os planos odontológicos ainda não incluem tratamentos relacionados ao sono em suas coberturas, mas o SUS (Sistema Único de Saúde) já começou a cobri-los em alguns Estados. “É importante salientar que há uma preocupação do governo com estes distúrbios, pois foi aprovada a necessidade de uma avaliação dos motoristas profissionais neste sentido na hora de tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), devido ao grande número de acidentes provocados pela sonolência excessiva.”
Dr Godolfim explica que, para oferecer um bom tratamento com o uso de aparelho oral, é preciso que o profissional tenha em mente que este é um problema multidisciplinar. “Geralmente, há necessidade de envolver profissionais como médico de sono, otorrinolaringologista, neurologista, psicólogo, nutricionista, e algumas outras especialidades.”
Apesar dos bons resultados que a Odontologia tem registrado, é importante lembrar que o uso do aparelho não cura o ronco e a apnéia. “Ele só resolve o problema enquanto estiver sendo usado. É mais ou menos como os óculos, que corrigem a visão, mas não modificam o olho”, explica. Godolfim também ressalta a necessidade de avaliar bem a situação dos pacientes. Alguns, por exemplo, têm poucos dentes ou usam próteses extensas, o que dificulta a retenção da peça na boca.
“Pessoas com problemas periodontais severos e pessoas portadoras de prótese total inferior não têm condições de usar o aparelho. Pacientes muito obesos ou com índice de apnéia mais acentuado também precisam ser bem avaliados, pois a perspectiva de resultados é menor”, alerta o ortodontista. Ele lembra ainda que é preciso ter cuidado com quem tem problemas na articulação da mandíbula, como dor, estalos ou desvios, pois o aparelho pode agravar estes casos.
Tratamentos adicionais
Além do aparelho oral, a odontologia oferece opções na área de cirurgias buco-maxilofacial. Tratam-se das operações ortognáticas, indicadas em certos casos de ronco e síndrome da apnéia do sono. Há também algumas medidas preventivas, segundo o dr Godolfim.
“As alterações crânio-faciais, principalmente as atresias maxilares e as retrognatias mandibulares, podem causar a apnéia do sono. Estes problemas podem ser tratados pelo ortodontista ou ortopedista funcional dos maxilares, eliminando ou reduzindo uma das causas da síndrome”, diz.
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