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Quando o medo fala mais alto.
Tremedeira, frio no estômago, coração disparado, suor, respiração ofegante e até desmaios. Essa lista de sintomas pode parecer exagerada, mas, na verdade, são reações comuns a pessoas que têm fobia de dentistas. E não são poucas: estudos científicos indicam que a odontofobia atinge de 15% a 20% da população brasileira.
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“Na sala de espera já começo a suar frio. Só de pensar no barulho do ‘motorzinho’, eu me arrepio”, confessa a estudante Nathália Tavares. “No dia anterior ao da consulta já fico mais irritada. O algodão, os aparelhos, a mão dentro da minha boca, tudo isso me dá nos nervos”, conta ela.
Na realidade, o tratamento odontológico sempre deu medo a muitas pessoas. Os equipamentos usados antigamente causavam, no mínimo, um desconforto grande ao paciente. Agulhas de grosso calibre para a aplicação de anestesias, canetas de baixa rotação, tudo isso ajudou a fazer da ida ao dentista um sinônimo de dor. Mas por que essa “fama” não está diminuindo com o passar do tempo, mesmo com o desenvolvimento de instrumentais mais modernos e menos traumáticos?
Uma das razões é que o medo pode ter raízes no passado. Muitas vezes, o paciente torna-se odontofóbico porque vivenciou dor ou teve alguma experiência negativa com dentistas na infância. O temor também pode ser “transmitido” de pai para filho. Números mostram que metade das crianças sente medo de dentista quando os pais também o sentem e contam situações dolorosas para elas. Outra atitude que pode gerar temor é fazer ameaças, convertendo o próprio dentista ou tratamento em castigo quando a criança faz alguma travessura.
Vínculo afetivo
“O trabalho do dentista historicamente envolve situações de medo e estresse. Temos de lidar com isso, ajudando a controlar a ansiedade do paciente”, explica José Ranali, professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Um caminho interessante, por exemplo, é a criação de um vínculo afetivo com o paciente. Abrir espaço para conversas sobre sua vida, família e trabalho é uma ótima maneira de se aproximar e inspirar confiança nele.
Outro fator que pode ajudar a minimizar o temor é abrir o jogo com o paciente: dizer quando e por que vai doer, esclarecer todas as dúvidas e explicar exatamente o que você está fazendo. “A sensação do desconhecido também gera medo”, explica o psicólogo Antonio Pereira. Além de não entender exatamente como será feito o tratamento, o paciente pode ainda se sentir impotente. “Quando está na cadeira do dentista, a pessoa não está controlando a situação”, afirma o psicólogo.
Medo de piorar
Segundo pesquisas recentes, mesmo com medo ou fobia, a grande maioria da população acaba superando o trauma e procura atendimento odontológico quando nota agravos em sua saúde bucal. Esta procura imediata pode representar uma tentativa de sanar a queixa odontológica rapidamente, evitando possíveis complicações. Ou seja, nestes casos o medo acaba servindo como “estímulo” à prevenção - pelo temor de um agravamento no quadro.
Mas há casos em que nem as conversas francas ou a confiança no profissional são suficientes. Em casos de síndrome do pânico ou fobia aguda, o correto é encaminhar a pessoa para uma avaliação com um psicólogo ou psiquiatra. O ideal é fazer um trabalho em conjunto com esses profissionais, já que, enquanto não superar o problema, o paciente não conseguirá se submeter ao tratamento odontológico.
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