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A visão global da Odontologia Antroposófica
O ser humano como um sistema único; o equilíbrio entre o químico, o estrutural e o psicológico. Esta é a base da Odontologia Antroposófica, um tratamento complementar que vem obtendo sucesso em diversos tipos de casos. Esta abordagem procura avaliar o paciente como um todo, diagnosticando problemas orgânicos, posturais e emocionais cujas origens estão no sistema estomatognático, ou seja, todo o sistema bucal. Este micro sistema passa a ser visto, então, como uma representação do todo: se apresenta uma disfunção, |
ela pode significar um desequilíbrio importante no organismo do paciente. O dentista que atua nesta linha tem consciência de que quando atende uma pessoa, está lidando com suas emoções, estado de ânimo e sentimentos.
A Odontologia Antroposófica baseia-se na "Medicina ampliada pela Antroposofia" (MaA), que tem início em meados da década de 1910. Na época, alguns médicos que seguiam as idéias do filósofo Rudolf Steiner - nascido na região que mais tarde seria a Iugoslávia - passaram a lhe perguntar sobre a possibilidade de se compreender melhor a medicina do ponto de vista espiritual. Inicialmente, essas conversas tiveram um caráter particular, mas, a partir de 1920, Steiner começou a ministrar cursos especificamente para médicos.
A Medicina Antroposófica representa uma ampliação da medicina convencional. Além de reconhecer o conhecimento médico tradicional, ela considera o homem como constituído também das partes vital e emocional, e também de um cerne espiritual. Por conta disso, o tratamento inclui muitos elementos terapêuticos, como massagens rítmicas, hidroterapia, fricções e musicoterapia. Hoje em dia, a Medicina Antroposófica é praticada em cerca de 30 países.
Os conceitos na odontologia
A abordagem da Odontologia Antroposófica - trazida ao Brasil pelo Dr. Dorivaldo Duarte, no início dos anos 90 - defende que apenas o auxílio multidisciplinar pode dar ao paciente a possibilidade de um equilíbrio geral. Assim, devem-se somar os conhecimentos das diversas áreas, tais como odontologia, medicina, fonoaudiologia, psicologia, homeopatia, fisioterapia e outras. "Somos preparados para analisar o paciente de outro jeito", revela o Dr. Humberto Lanzara, que atua na Clínica Antroposófica Tobias e é também o Primeiro Secretário da ABCDA - Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas Antroposóficos. "Por isso, além dos recursos convencionais - aparelhos, próteses e implantes -, adotamos elementos comuns à homeopatia, e também banhos vitalizados, massagens e terapias", completa. Muitas vezes, o paciente chega para uma consulta com um odontologista e acaba sendo indicado a outro profissional da área antroposófica, para complementar o tratamento.
A eficiência da Odontologia Antroposófica pode ser notada nas mais diversas disfunções do organismo. Muitos problemas respiratórios, por exemplo, têm sido diagnosticados e eliminados com a recuperação do vazio bucal, gerando o crescimento que estava faltando para o adequado posicionamento da língua e facilitando assim a entrada do ar. A questão da postura corporal é outro aspecto no qual esta abordagem tem sido útil, já que há casos em que a postura inadequada origina-se na má oclusão dentária.
"Nosso objetivo é realizar um diagnóstico o mais profundo possível, para alcançarmos o equilíbrio do sistema estomatognático", explica a Dra. Roseli Luppino Peres, especialista em Odontologia Sistêmica, como prefere chamar esta abordagem. "A principal diferença em relação à odontologia convencional é que, ao invés de simplesmente implantarmos uma técnica sobre um tecido vivo, procuramos enxergar o 'dono' deste tecido, o indivíduo como um todo", complementa.
A jornalista Débora de Cássia Pinto, de 25 anos, é uma paciente adepta da linha de tratamento. "Passei anos com um dente de leite e, já adulta, ele careou. Acabei descobrindo que o dente permanente, ao contrário do que eu imaginava, não havia se exteriorizado, mas sim nascido de forma errada. Consultei alguns especialistas e todos eram taxativos: uso de aparelho por alguns anos e extração de vários dentes", conta ela. "Fiquei assustada porque tinha alguns conhecimentos sobre bioenergética bucal, técnica que associa os dentes às emoções. Foi quando conheci a Odontologia Antroposófica, que têm a consciência de que os dentes compõem e influenciam um indivíduo como um todo", finaliza Débora, que não precisou extrair nenhum dente em seu tratamento.
No Brasil, a formação em Odontologia Antroposófica, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina em 1993, é uma extensão do curso de graduação em odontologia. Ela se inicia com dois anos de formação básica para os profissionais de saúde, organizada pela Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos. Em seguida, são mais dois anos de estudos específicos na área de odontologia.
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