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Os pais estão preocupados com a higiene bucal dos filhos e por isso é cada vez mais comum bebês fazerem sua primeira consulta odontológica antes do primeiro ano de vida. Para acolher a demanda de pacientezinhos que necessitam de um atendimento diferenciado, o dentista encontra na especialização em odontopediatria toda a bagagem que precisa para se tornar um adorável “primeiro dentista”.
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A odontopediatria trata de crianças na faixa etária dos seis meses aos 16 anos, mas muito adulto gosta de se consultar com odontopediatras por eles trabalharem com uma abordagem mais humana. A idade ideal para que o bebê faça a sua primeira visita ao dentista é aos seis meses, período em que os dentes começam a nascer. “É interessante incentivar os pais para levarem a criança à uma consulta no primeiro ano porque os bebês estão mais receptivos a mudanças de hábitos. Com oito meses de idade é mais fácil para a mãe diminuir o açúcar, pois a criança aceita com facilidade. Nesta idade ela não fala ‘eu não quero, eu não gosto’. Já com dois ou três anos é mais difícil, porque a criança tem suas vontades e pede chiclete, brigadeiro...”, explica o professor de odontopediatria da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Bonecker. Na primeira consulta, o odontopediatra costuma fazer uma análise para conhecer os pais e a criança para, assim, verificar como são os hábitos de alimentação e higiene da família. Após esta primeira conversa, um exame clínico no bebê detecta se está tudo bem ou se há algum problema na dentição e cavidade bucal. Se houver, inicia-se o tratamento mais adequado.
Dependendo da faixa etária, a criança pode ter medo na hora de sentar na cadeira do dentista. É aí que o profissional tem que usar a psicologia para descobrir de onde vem a reação e reverter o quadro, conquistando a confiança da criança aos poucos. O medo pode vir de uma experiência ruim que a própria criança vivenciou em atendimentos anteriores ou de presenciar conversas de adultos que passaram por algum tratamento traumático. “O núcleo familiar conta ponto também, por isso é preciso aconselhar os pais para que não comentem sobre experiências negativas perto dos filhos”, diz Bonecker.
Dentro de um consultório de odontopediatria, artifícios como móbiles e chocalhos são eficientes para entreter os bebês. Para crianças maiores, técnicas ludoterapêuticas (tipo de psicoterapia através brincadeiras) em que a criança pode escovar os dentes de ursinhos de pelúcia, por exemplo, são bem-vindas. Cabe também ao cirurgião-dentista passar segurança, tendo uma conversa no nível da criança, para ela sentir confiança no que está sendo feito.
A palavra-chave nos tratamentos odontopediatricos é a prevenção. E não há medida preventiva de cárie que traga melhor resultado do que escovar os dentes todos os dias com pasta que contenha flúor. Evitar alimentos açucarados também ajuda nesta ação. Porém, nesta primeira fase da vida, os pais são os principais agentes da saúde bucal, que servirão de exemplo para as crianças. Eles devem ser orientados para auxiliar seus filhos na escovação até os sete anos e supervisionar até os 12 anos. “Têm crianças com menos de um ano de idade que já apresentam cáries severas”, diz o dentista. As cáries que ficam muito grandes evoluem para dor e deixam a dentição esteticamente prejudicadas, com manchas escuras, podendo levar até à perda dos dentes. Isso acarreta em problemas de mastigação, de dicção e até sociais. Qual pessoa não sente vergonha de dentes estragados ou faltando?
Cáries, traumatismos, como dentes quebrados, e problemas com a mordida são os principais casos que passam pelos consultórios de odontopediatras, pois esta é a fase em que as crianças estão aprendendo a andar e a correr, o que resulta em alta a incidência de traumatismos.
No 25º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que aconteceu de 27 a 31 de janeiro de 2007, a odontopediatria marcou forte presença entre as discussões do fórum. Lá foram apresentadas as mais modernas tecnologias e materiais para a saúde bucal das crianças, como o laser e o clareamento que estão sendo usados também na odontopediatria. “Não é porque o dente é de leite que não se deve ser tratado, ainda mais na infância, fase em que está se formando a personalidade, a falta de dentes pode deixar a criança tímida”, conclui Bonecker, que abordou o tema “A Saúde Bucal dos Bebês” em palestra neste Congresso.
Segundo o doutor Marcelo, o mercado de trabalho em odontopediatria é bom, mas não se encontra em expansão significativa. Apesar da cárie atingir mais crianças de baixa renda, sem condições de freqüentar um consultório dentário, a odontopediatria tem um espaço grande na classe média e alta, o que faz equilibrar a demanda de pacientes entre os especialistas.
Quem pretende se especializar em odontopediatria vai encontrar disciplinas que abragem os aspectos psicológicos de cada faixa etária, além do crescimento e desenvolvimento da cavidade bucal e tratamentos específicos. Bonecker é professor de odontopediatria de duas instituições de ensino que formam especialistas em odontopediatria: a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia - Fundecto, localizada dentro da USP, em São Paulo; e a Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, em Campinas. As faculdades públicas de odontologia costumam oferecer cursos com qualidade de ensino. Informe-se no seu Estado.
Informações sobre cursos:
Fundecto - Tel.: 0800-771-7001
callcenter@fundecto.com.br
Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic - Tel.: (19) 3211-3600
faleconosco@slmandic.com.br
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