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Há quatro anos, a paulistana Renata Garcia sonha em abrir sua clínica própria. O plano era fazer isso logo após a graduação, em 2002, mas o alto custo acabou por adiá-lo. Dividindo um consultório com outros três profissionais em Osasco, município da Grande São Paulo, ela busca ampliar a clientela e juntar recursos para, futuramente, realizar seu sonho. "É muito difícil abrir uma clínica logo de cara. Além do alto investimento na compra de equipamentos e os |
custos fixos, o número de pacientes é sempre reduzido no começo", explica a jovem dentista. "Mesmo aqui no consultório, minha sala ficava 'às moscas' nas primeiras semanas".
A solução foi passar a trabalhar com clientes de convênios médicos. "Apesar de pagarem bem menos, os conveniados movimentam a clínica, e atender bastante no início acaba dando uma boa experiência", afirma a Dra. Renata, que fica com 50% do seu rendimento líquido e repassa a outra metade para a dona do consultório, a Dra. Laura Pedrosa. Em contrapartida, Laura é a responsável pelo pagamento das contas e a reposição de todo o material utilizado, além de estar sempre indicando novos pacientes.
Renata, de 28 anos, espera abrir sua clínica até o final de 2008, preferencialmente fora da capital paulista. "Acredito que a cidade já está saturada. Além disso, os custos no interior são bem mais baixos", conta a dentista, que já andou fazendo pesquisas na cidade de Jundiaí, que vive fase de pleno crescimento.
O experiente dentista Jorge Gazel concorda com ela. "A concorrência em São Paulo é gigantesca". Ele abriu seu consultório em 1965, no movimentado bairro de Pinheiros, e dá algumas dicas para os recém-formados. "A primeira coisa, e uma das mais importantes, é definir em que tipo de localidade o profissional quer se instalar: comercial, residencial, periferia, região central etc.Todas têm vantagens e desvantagens". Só depois de optar por um local, e de obter todas as licenças trabalhistas necessárias para abrir uma clínica médica, é que se inicia a montagem propriamente dita.
"O ideal é ter uma área de, no mínimo, 40 metros quadrados. Assim, é possível ter duas salas - sendo uma de espera - e dois banheiros. Em relação aos equipamentos, os básicos são: cadeira, refletor, mocho, compressor, raio-x, e autoclave, além do instrumental que o profissional adquire durante a formação", explica o Dr. Jorge Gazel. Contabilizando ainda os móveis, o computador e a geladeira, o doutor calcula que a montagem de um consultório médio, sem sofisticação, custe cerca de 50 mil reais. "Há 40 anos era bem mais fácil", admite.
Contar com uma pessoa que seja secretária e auxiliar também é fundamental, na opinião dos dois profissionais. O Dr. Jorge também recomenda que o dentista tenha uma boa assistência técnica, para que equipamentos quebrados não demorem muito para voltar do conserto. Por fim, Jorge aconselha os novos profissionais a não se acomodarem à espera de pacientes. "É muito bom fazer contatos nos estabelecimentos ao redor do consultório. No começo, o ideal é ficar mais fora do que dentro da sala", ensina.
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