Há quem pense que ser profissional liberal é uma maravilha. Não há patrão, rigidez, nem horários fixos. Mas, como tudo na vida, existe o outro lado. Ser autônomo também significa estar sujeito a períodos de altos e baixos. No caso do setor de odontologia, aprender a manter as contas em dia quando o consultório fica às moscas.



Em geral, o movimento encolhe entre as festas de fim de ano e o carnaval e durante as férias escolares de julho. Para encarar estas fases, o consultor especializado em gestão e marketing na Saúde Rubens Zimbres recomenda algo que, à primeira vista, parece simples: preparar-se com antecedência. O problema, diz ele, é que, na maioria das vezes, acontece justamente o contrário.

“Ainda prevalece a conduta reativa. Parte-se do pressuposto que, sendo um bom profissional na área técnica, os clientes virão em abundância. Isto realmente aconteceu há muitos anos, mas os tempos mudaram.” Zimbres, que também é cirurgião-dentista e doutorando em administração de empresas, explica que o conhecimento da maioria dos profissionais sobre gestão é muito restrito.

A cirurgiã-dentista Dulce Nicolini Breanza concorda com Zimbres. “Profissionais de odontologia, geralmente, são muito ruins em administração. Nos meus tempos de faculdade, não havia muita orientação, então tive de aprender tudo sozinha.” Com o tempo, ela aprendeu a importância de se prevenir. “Vou juntando o quanto posso e aplico em diversos tipos de investimentos.”

Fazer um pé-de-meia para os períodos de vacas magras é, de fato, muito importante. Mas antes, o consultor recomenda uma avaliação geral das contas. “É preciso obter o controle do negócio, saber quantos procedimentos são feitos no consultório e quais são as fontes de receitas e despesas.” Somente assim, diz ele, o profissional poderá diferenciar uma queda sazonal de uma crise duradoura.

O aperto temporário, segundo Zimbres, consiste num movimento que oscila entre alta e baixa demanda, algo perfeitamente normal. “Já a falta crônica de clientes é caracterizada por uma queda constante da demanda. Por isso, ele sugere o uso de softwares para armazenar e acompanhar a evolução dos números do consultório.

Para sair do sufoco

Ter uma reserva para não precisar recorrer a empréstimos é o ideal, mas, às vezes, imprevistos acontecem. Para sair do sufoco, a melhor solução, segundo o consultor do Sebrae SP Luis Alberto Lobrigatti, é ir atrás de crédito assim que perceber que vai entrar no vermelho. “Não deixe para a última hora, senão fica mais difícil de negociar taxa de juros e condições de pagamento.”

Planejar parece ser a palavra de ordem para manter as contas em dia, mesmo com os altos e baixos de um consultório. Na prática, no entanto, levar isto à risca não é fácil. “A realidade é outra. A entrada de dinheiro varia muito e, às vezes, o paciente pede mais prazo, mais desconto. Assim fica difícil fazer um planejamento”, desabafa a dentista Dulce Nicolini Breanza.

Uma solução sugerida pelo consultor do Sebrae é a emissão de boletos bancários. “Claro, depende de cada caso, mas o dentista precisa acompanhar os pagamentos para não se perder. E lembrar que é preciso estar preparado financeiramente para clientes que não pagam.”

Lobrigatti também sugere que os profissionais de Odontologia se informem mais sobre conceitos de administração. Para isto, ele recomenda cursos rápidos e palestras sobre gestão de caixa no Sebrae http://www.sebrae.com.br. “É muito importante ter uma clara visão das receitas e das despesas de seu negócio e saber muito bem separar os gastos do consultório e os da sua vida pessoal.”




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